sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Aleijadinho - Débora e Bernardo Rafael

Antonio Francisco Lisboa, que ficou famoso no mundo inteiro como Aleijadinho, nasceu em Ouro preto, Minas Gerais em 1730, cidade que a época tinha o nome de Vila Rica. Filho do casamento de Manuel Francisco Lisboa, português e mestre de obras de profissão, e da escrava Isabel, o escultor mineiro Aleijadinho aprendeu desde cedo o ofício do pai, que foi o primeiro arquiteto de Ouro Preto.
                  Apaixonado pela arte, Aleijadinho só fez a escola primária, passou sua infância e juventude ajudando o pai e o tio, Antonio Francisco Pombal, um entalhador muito conceituado na cidade àquela época, não aproveitando as brincadeiras de criança que deveria ter. Segundo consta, a formação profissional de Aleijadinho pode ter sido aprimorada, enriquecida com a experiência de João Batista Gomes, abridor de cunhos e de José Coelho Noronha, entalhador e escultor, com que o artista teria uma relação muito boa.
                  Em 1777, Antonio Francisco Lisboa contrai a doença que lhe traria com o tempo o apelido de Aleijadinho. A doença que foi deformando o artista com o passar dos anos, fez com que ele perdesse os dedos dos pés e das mãos. Os pesquisadores até hoje não conseguiram determinar com certeza qual o problema de saúde que teria trazido tão graves sequelas, se foi hanseníase, sífilis, ulcerações gangrenosas ou ainda uma tromboangeíte obliterante, doenças que naquela época não tinham tratamento eficaz e muito menos cura.
                  No período mais crucial, seus artesãos atavam os instrumentos a luvas de couro que cobriam suas mãos e o carregavam, pois ele já não podia caminhar. A verdade é que a doença trouxe um sofrimento indizível, mas ao que comprova a sua obra, este trouxe uma sensibilidade muito maior ao escultor Aleijadinho, entalhador, desenhista e arquiteto do Brasil colonial.
                 

Obras Aleijadinho:
                  Aleijadinho viveu e produziu a maioria de suas obras nas cidades de Ouro Preto e Congonhas, no estado brasileiro de Minas Gerais, no período de 1730 a 1814. Esses dados carecem de confirmação documental, assim como a sua vida, seus trabalhos não foram catalogados na época e não tinham assinatura, dificultando um levantamento preciso de sua grandiosa obra.
                  Aleijadinho foi um escultor barroco e trabalhou também como arquiteto, entalhador e marceneiro. Seu talento, no entanto, foi difundido apenas por suas esculturas, e nessa arte trabalhava usando especialmente a pedra-sabão e madeira. Muitos historiadores e estudiosos da vida e obra de Aleijadinho dividem sua carreira em dois tempos diferentes, antes da doença deformante e após o início da doença, sendo essa última seu período mais fértil, quando surgiram suas esculturas mais primorosas.
                  Sua obra tem traços de genialidade que a tornaram conhecida no mundo inteiro, e hoje existe em Ouro preto um museu, onde está exposto o seu acervo e onde é contada a sua história, mostrando o talento e a determinação desse homem que sofreu dores lascinantes, precisou atar os instrumentos às mãos para poder trabalhar, mas nem mesmo assim desistiu. No auge de sua doença e com mais de 70 anos e idade, produziu uma de suas mais importantes obras, que é a fantástica coleção de esculturas dos doze apóstolos, que o tornou definitivamente uma celebridade artística, não como esculturas de lata ou de neve.
                  As suas obras-primas foram esculpidas em pedra-sabão, realizadas no período de 5 anos, entre 1800 a 1805, na cidade de Congonhas do Campo. As esculturas dos 12 apóstolos Abdias, Adacuque, Amós, Baruque, Daniel, Ezequiel, Isaias, Jeremias, Jonas, Joel, Naum e Oséias, ficam no adro do santuário da Igreja católica do Bom Jesus do Matosinho. Na frente da Igreja há uma ladeira com 6 capelas, onde estão um conjunto de esculturas de Aleijadinho, em tamanho real, que revelam a Via Crucis de Jesus.
                  A obra de Aleijadinho tem uma forte e decisiva influência da cultura religiosa católica, mas quando temos o privilégio de visitar o museu e apreciar as belezas, somos imediatamente transportados no tempo, pois essas peças são carregadas de uma emoção indescritível, pela sua grandiosidade, imponência e beleza. Aleijadinho morreu em 18 de novembro de 1814, aos 84 anos e cego, na cidade de Ouro Preto, onde nasceu e passou sua vida. Os dados que existem sobre a vida do artista barroco e obra são escassos e provêm de um apanhado de memórias escritas pelo vereador de Ouro Preto, Sr. Marino, 40 anos após sua morte, e publicadas posteriormente.
                 
Aleijadinho Marceneiro e Entalhador:
                  São ao todo 22 trabalhos conhecidos de Aleijadinho como marceneiro, entre eles se destacam oratórios grandes que estão expostos no Museu do Pilar de Ouro Preto e da Inconfidência e também as cadeiras e o trono episcopal executados num estilo rococó esplêndido, que estão no Museu da Arte Sacra de Mariana.  Como entalhador o artista fez os altares das Igrejas de N. Sra. do Pilar de Nova Lima e de São Francisco de Assis, da cidade de Ouro preto, assim como os altares laterais da Igreja de São João Del Rei. Também executou trabalhos riquíssimos de entalhamento usando pedra-sabão nos portais de diversas igrejas mineiras. São ao todo 29 obras de entalhamento de madeira catalogadas e atribuídas ao artista.

Aleijadinho Arquiteto:
                  Em um documento datado do ano de 1771, Antônio Francisco de Lisboa é chamado de arquiteto. Assim, sob essa égide o artista produziu 23 projetos e trabalhos conhecidos, entre eles os principais são os projetos das Igrejas de São Francisco de Del Rei, que não foi executado, de São João Batista de Barão de Cocais, e de São Francisco de Ouro Preto. Além disso, é de sua criação o projeto arquitetônico das torres da matriz de Tiradentes.

Aleijadinho Escultor:
                  Foi trabalhando como escultor que Aleijadinho deu vazão a todo o seu talento artístico. Em levantamentos realizados por diversos historiadores foram atribuídas ao artista 318 esculturas, além de 25 classificados de esculturas ornamentais. Existem, entre uma corrente de historiadores, dúvidas quanto à autoria de algumas obras do artista, visto que as mesmas não têm assinatura e Aleijadinho teve vários auxiliares e discípulos de suas técnicas. Assim sendo, o número de trabalhos atribuídos a Aleijadinho não é definitivo, há a possibilidade de ser bem maior ou não.
                  O reconhecimento do artista ultrapassa as fronteiras brasileiras e ele é reconhecido mundialmente, como um mestre da arte barroca.
                 

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